Nanotecnologia na defesa da saúde pública
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Seg, 08 de Junho de 2015 04:51

Dengue

A empresa Nanomed, spin-off originada do Instituto de Física de São Carlos (IFSC/USP) e encubada no ParqTec de São Carlos, desenvolveu recentemente uma tecnologia para obtenção de uma nanocápsula que se tornou a principal componente de um creme repelente eficaz contra o mosquito transmissor da dengue, e mais potente que os de origem natural atualmente disponíveis no mercado. A matéria-prima já está disponível para farmácias de manipulação.

Amanda-_DengueAtravés da técnica de nanoencapsulamento, os pesquisadores da Nanomed tornaram possível o aproveitamento das propriedades repelentes do cravo-da-índia, o que torna o feito inédito, já que qualquer tipo de óleo (natural ou não) é dificilmente incorporado na formulação farmacêutica. "Além de não se misturar às formulações, os óleos naturais, quando expostos à luz ou ao meio, sofrem oxidação, o que torna sua atividade limitada", explica Amanda Luizetto, coordenadora da Nanomed.

As nanocápsulas poliméricas de óleo de cravo-da-índia produzidas pela Nanomed apresentaram repelência de 95 minutos, tempo muito maior do que os repelentes naturais comuns, que não chega a 30 minutos. "Isso porque eles não conseguem incorporar grandes concentrações do produto natural repelente. A partir do momento em que o produto natural é nanoencapsulado, muitas complicações, como a oxidação e evaporação do produto, são eliminadas", conta Amanda.

Outro aspecto que torna a atividade repelente da nanocápsula maior e melhor é sua liberação controlada na pele, ou seja, quando o princípio ativo (no caso, o cravo-da-índia) é liberado aos poucos e continuamente, tornando seu efeito repelente muito mais duradouro.

Produto já disponível 

No empreendimento em questão, a Nanomed tem buscado parceiros. A estratégia envolve a consolidação de parcerias para comercialização do produto, sendo que o alvo inicial são farmácias de manipulação. Uma das parcerias já firmadas é com a empresa Accert, também encubada no ParqTec. "Desenvolvemos as nanocápsulas repelentes e as vendemos às farmácias de manipulação que, por sua vez, irão produzir e vender o repelente no mercado. Continuamos na busca de investidores para que, no futuro, possamos produzir o produto acabado, acessando outros mercados, meta que pretendemos alcançar em dois anos", explica Amanda.

Nanomed-_logoAlém da ação mais eficaz e duradoura, estudos preliminares apontaram que o produto não é tóxico para sua finalidade repelente, toxicidade avaliada por protocolos internacionais. "Diferente dos repelentes que já existem, que têm restrições de aplicação e de idade, o repelente feito com nossas nanocápsulas não tem restrição, pois sua toxicidade é muito baixa", conta.

Novamente em relação à comercialização, a venda das nanocápsulas é feita por quilo, sendo que um quilo de nanocápsulas rende cinco quilos de creme repelente. "Embora já tenhamos realizado os testes necessários para aprovação do produto, e diversas farmácias de manipulação do Brasil já estejam interessadas, ainda não temos capacidade produtiva para grandes escalas, pois somos uma empresa pequena. A estratégia comercial neste momento é divulgar nosso produto no mercado e, como consequência, oferecer um repelente de origem natural que ajude no combate de doenças transmitidas por pernilongos e mosquitos, como a dengue", afirma a pesquisadora.

O vínculo com outras instituições de pesquisa

Todos os 15 projetos de pesquisa- em andamento e já concluídos- da Nanomed resultam, em primeiro lugar, da dedicação dos cinco membros que fazem parte da empresa atualmente. Porém, o auxílio financeiro e de infraestrutura contam com a colaboração de outros locais.

No que se refere ao auxílio financeiro, a Nanomed faz parte do programa da FAPESP "Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (PIPE)". Além disso, o próprio IFSC/USP, onde Amanda realizou seu pós-doutoramento, concluído em 2013, sob orientação do docente e coordenador do Grupo de Nanomedicina e Nanotoxicologia (GNano), Valtencir Zucolotto, ainda tem papel protagonista na vida da empresa, bem como outras instituições ligadas à USP. "O IFSC nos dá apoio para muitas outras coisas, principalmente através da disseminação do conhecimento" conta Amanda. "Mesmo que não tenhamos mais vínculos diretos, temos muitos amigos no IFSC que, até hoje, nos auxiliam e, certamente, contribuem direta e indiretamente para melhora contínua de nossos trabalhos", conclui a pesquisadora.

Assessoria de Comunicação