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Ter, 04 de Abril de 2017 06:47

CIS/USP

O ano era 2001. Pedro Chamlian Ferreira dos Santos tinha apenas vinte anos quando morreu afogado ao praticar remo na raia olímpica da USP, em São Paulo. Ele morava na comunidade de São Remo, localizada próximo à Cidade Universitária, e cursava o terceiro ano de Administração na Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA/USP).

Após o trágico episódio, a Universidade promoveu um projeto envolvendo a participação de moradores dessa comunidade. A iniciativa foi tão positiva, que a Pró-Reitoria de Cultura e Extensão Universitária da USP criou o Projeto Aproxima-Ação, desenvolvendo atividades com o objetivo de detectar demandas sociais, promover ações educativas, etc.

Em 2003, José Marcos Alves, docente da Escola de Engenharia de São Carlos (EESC/USP), realizava pós-doutorado nos Estados Unidos, quando soube de um projeto de inclusão social da INTEL. Interessado na iniciativa, assim que regressou ao Brasil ele visitou a única instituição de ensino brasileira que recebera infraestrutura da multinacional para realizar o projeto e decidiu implementar a metodologia do programa na cidade de São Carlos.

Com a participação de autoridades políticas e do campus USP São Carlos, a iniciativa de Alves foi inaugurada em 2006, em uma igreja coordenada pelo Padre Eduardo Malaspina, na Vila Carmen. O programa, que decorre no âmbito do Anjo da Guarda (uma iniciativa da igreja), acontece em uma sala chamada Inclube, onde crianças com aproximadamente 10 anos aprendem a usar o computador.

Com seu envolvimento no Inclube, Alves passou a interagir com parceiros educacionais, tendo conhecido o trabalho da Fundação Bradesco e do Bradesco Instituto de Tecnologia (BIT), bem como da CISCO, "a empresa mais importante do mundo em TI [Tecnologia da Informação]", segundo o docente.

Com base nessas experiências e em seu conhecimento acerca do sucesso do projeto Pequeno Cidadão, que se realiza no Campus USP São Carlos, Alves queria iniciar um programa que estivesse em consonância com o Projeto Aproxima-Ação e que envolvesse jovens de classes sociais menos favorecidas que vivem na região da Área II do Campus USP São Carlos.

logo_cisEm agosto de 2015, com o apoio da Prefeitura (PUSP-SC) e das demais unidades do Campus, em especial com o Instituto de Física de São Carlos (IFSC/USP) e com Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC/USP), foi lançado o Centro de Inclusão Social (CIS/USP), que é coordenado por Alves e pelo Prof. Carlos Goldenberg (Mestre na EESC/USP), oferecendo cursos dedicados ao ensino de inglês, física e informática.

Inicialmente, com um recurso de cinco mil reais que recebera da Pró-Reitoria de Cultura e Extensão Universitária, o CIS/USP inaugurou o curso de inglês que teve início com alguns alunos das Escolas Estaduais "Attilia Prado Margarido" e "Professor Bento da Silva César", bem como dos projetos sociais Pequeno Cidadão e Menor Aprendiz(IFSC/USP). O método de ensino do curso utiliza a metodologia da Read In / Tese Prime, um conceito de ensino que tem como finalidade aprimorar a habilidade de leitura em inglês.

O curso deu - e tem dado - certo, e no segundo semestre de 2016 o CIS/USP lançou outras duas atividades. Uma delas foi A Física do Cotidiano na Construção da Cidadania, que é realizada em parceria com o IFSC/USP para possibilitar que os jovens compreendam fenômenos físicos por meio do uso de equipamentos que fazem parte das disciplinas da graduação do Instituto; a outra foi o Laboratório de introdução à informática para alunos do ensino fundamental, que visa ao ensino de conceitos básicos de informática, através de atividades teóricas e experimentais. Os três cursos são ministrados por monitores que recebem bolsas remuneradas do Programa Unificado de Bolsas de Estudo para Estudantes de Graduação da Universidade.

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Ampliando o projeto...

Mesmo com essas atividades se realizando, Alves e Goldenberg já têm elaborado outros cursos, como de Matemática, Ética e TI, que poderão ser lançados pelo CIS/USP num futuro próximo, tendo como foco o já citado público-alvo. Aliás, ambos os docentes também têm refletido sobre a possibilidade de promoverem a inclusão digital entre adultos, bem como um curso de "inglês de sobrevivência", voltado ao ensino de conceitos básicos do idioma inglês a servidores da USP que interagem com visitantes estrangeiros.

Hoje, as atividades do CIS/USP acontecem no Pólo de Ensino à Distância na Área II. Mas, em 1º de dezembro de 2016, a Comissão de Planejamento Acadêmico do Campus USP São Carlos aprovou, por unanimidade de seis votos, o uso pelo CIS/USP de uma sala multiusuário localizada na Biblioteca da PUSP-SC, também na Área II, onde, futuramente, um novo prédio poderá alocar todos - ou quase todos - os projetos de inclusão social da Universidade. "Essa ideia surgiu, porque o Prof. Dr. Francisco Antonio Rocco Lahr [EESC/USP] recebera um prêmio em dinheiro e o destinara para a PUSP-SC, que decidiu investir o recurso na construção de uma sede para os projetos", explica Alves.

Na segunda quinzena deste mês, os participantes do curso de inglês foram instruídos a se credenciar no Serviço da Biblioteca. Para Goldenberg, aproximar os jovens desse espaço da Área II é uma particularidade muito importante, já que os instiga a criar o hábito de leitura. "Essa oportunidade é fundamental para o futuro desses jovens, porque muitos se tornam leitores na fase adulta, o que é muito complicado", diz Goldenberg, que constantemente indica livros aos seus estudantes uspianos, recebendo depoimentos positivos acerca dos novos hábitos de leitura dos alunos.

Para Alves, o contato dos participantes do CIS/USP com a Biblioteca e os demais espaços do Campus é um modo de influenciá-los a se dedicarem aos estudos e eventualmente ingressarem nos cursos da Universidade, sendo, igualmente, uma alternativa para a USP se apresentar à comunidade em geral, enfatizando que a instituição não é uma "ilha", mas sim um espaço aberto. "A extensão é o caminho mais fácil para mostrarmos à sociedade a importância da Universidade".

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Os Profs. Alves e Goldenberg

Neste ano, o CIS/USP recebeu a doação de 54 livros em inglês pela editora Pearson Education do Brasil S. A, que já em 2016 doara 29 dicionários que estão disponíveis no acervo da Biblioteca da PUSP-SC.

(Créditos das imagens: Assessoria de Comunicação do IFSC/USP e CIS/USP)

Assessoria de Comunicação - IFSC/USP